7 de mar de 2014

Direto da Rua Professor Lafayette Côrtes, o edifício Cibrasil!

Ilustração do livro de Cynthia Howlett reproduz a monumentalidade do Edifício Cibrasil, na região da Rua Dulce


Foi uma grata surpresa folhear o recém-lançado livro bilíngue de Cynthia Howlett (Alma do Rio/The Soul of Rio, Editora Réptil, R$ 39,50 na Travessa) e me deparar com um capítulo exclusivamente dedicado ao bairro da Tijuca. Para quem é do Rio e costuma folhear os guias turísticos publicados sobre a cidade, sabe bem que a Tijuca é ignorada dada a sua falta de atratividades turísticas comerciais, muito embora seja uma região significativamente histórica da cidade e que abriga, nas suas cercanias, o estádio do Maracanã e a floresta que leva o nome do bairro.

Cynthia Howlett remou contra a maré e dissertou um pouco sobre o bairro, de forma comedida e sem muita intimidade - afinal, a moça é cria da Zona Sul -, mas que valeu a pena pela lembrança. Mesmo que as fotografias da Praça Saens Peña, símbolo-mor do bairro, tenham sido substituídas pelas do estádio do Maracanã como referência tijucana, há uma agradável surpresa no Alma do Rio/The Soul of Rio: um croqui pra lá de simpático do anônimo edifício Cibrasil, da autoria de Juliana Yue, a ilustradora do livro. 

Você, tijucano, o conhece? Pode ser que de nome, não, apesar de já ter ouvido falar nas ruas Dulce e Professor Lafayette Côrtes, certo? O edifício Cibrasil, esse que você pode ver nas imagens, fica na esquina da Lafayette Côrtes com a General Marcelino, bem nos fundos do Colégio Militar, às margens da imponente Pedra da Babilônia. Região da São Francisco Xavier e Almirante Cóchrane. Localizou? É difícil mesmo de situar-se caso você não disponha de um mapa. Os próprios tijucanos se confundem com as suas ruas e tal qual foi a minha surpresa de logo a Cynthia Howlett - mais uma vez, cria da Zona Sul - supostamente conhecer e ainda colocá-las no seu livro.

O Cibrasil é um daqueles edifícios clássicos dos anos 1940 que tanto embelezaram bairros como a Tijuca, Flamengo e Copacabana (sobretudo nos arredores da Praça do Lido) e que hoje sobrevivem a custa de muito interesse por parte dos seus proprietários, que nem sempre estão interessados - ou possibilitados, financeiramente falando - em preservar tais prédios. É uma manutenção, por vezes, langorosa. O Cibrasil faz parte desse rol de joias arquitetônicas da cidade que não recebem o devido cuidado, mas que, por outro lado, continuam adornando as nossas ruas.

A garça feita em chapa de ferro no topo do Cibrasil: joia arquitetônica tijucana

Ele se parece a um castelinho, e sua cor acinzentada, meio pálida, atenua o impacto das pequenas descaracterizações aplicadas à fachada. A entrada possui um elegante portão verde de ferro cujos detalhes dourados, em formato de ondas, se parecem a bigodes muito bem penteados. Os arabescos, preenchidos por azulejos floridos, compõem toda a fachada da torre com um charmoso vitral por onde passa a escadaria do Cibrasil. Os antigos jardins do pátio interno do edifício, no entanto, clamam por melhores cuidados - tornaram-se um amontoado de matos e folhas sem intenção paisagística alguma.

Por último, peço ao leitor (e futuro pedestre da rua!) que observe o topo da torre do Cibrasil: o telhado tradicional, em formato circular, comporta uma garça composta em material ferroso que, além de ser um belíssimo e incólume adorno, também se assemelha a uma rosa-dos-ventos.

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