15 de mar de 2014

E o metrô finalmente chegou às imediações da Rua Uruguai

Tijucanos ansiosos pela abertura da estação Uruguai na Rua Itacuruçá na manhã de sábado (15)

Mesmo após uma noitada no Bar do Momo, regada a muita cerveja, bolinho de arroz, aparecidinho de carne seca e jiló com provolone (tais detalhes ficarão para uma próxima postagem, afinal, o reduto é tijucaníssimo), decidi obedecer ao alarme do despertador e me levantei da cama, ainda sonolento, disposto a caminhar da região da Praça Saens Peña até a Rua Uruguai. O propósito? Participar da inauguração do novo terminal da Linha Um do metrô carioca, a estação Uruguai.

Tem gente que não se encanta em participar, assim, tão ativamente dos acontecimentos dos bairros onde moram, mas aqui na Tijuca tenho a impressão de que as pessoas apreciam esses tipos de evento. A inauguração das três primeiras estações metroviárias na região, em 1982, por exemplo, foi uma grande festa entre os tijucanos. Depois de seis anos sofrendo com as obras do metrô e todos os seus efeitos colaterais, sobretudo na Praça Saens Peña, finalmente puderam ver o progresso chegando por essas bandas. E, desde então, o metrô continua se expandindo lentamente pelo Rio. Ou seja, a abertura de uma nova estação é sempre acompanhada de muita euforia. Foi com base nisso que decidi partir para lá um pouco antes das 10 da manhã. Queria fazer parte desse dia histórico para a Tijuca!

O único acesso aberto era o da Rua Itacuruçá, onde havia uma expressiva aglomeração de moradores e curiosos no aguardo para o primeiro sinal de “passagem liberada”. Tijucanos das antigas comentavam sobre a tão esperada estação de metrô nesse local. Uns, mais calorosos, ecoavam frases como "Agora estamos mais perto da zona sul!", enquanto outros, mais críticos, divagavam sobre a possibilidade do metrô ir parar no Andaraí e no Grajaú. Estudantes do Colégio Palas, animados com a balbúrdia, circulavam entre grupos de senhoras que posavam para fotos diante do letreiro da Estação Uruguai. Do alto dos prédios, famílias observavam a multidão lá embaixo com alegria e ansiedade no semblante. Sim, estavam todos muito felizes.

A plataforma da estação Uruguai: cores vivas
Por outro lado, demorou bastante para que as coisas ali começassem a fluir. O pessoal já estava impaciente e cogitando ir embora quando, depois de um atraso de 45 minutos em relação ao horário de abertura anunciado, passamos a ouvir o discurso do secretário de transportes Júlio Lopes ressoando pela escadaria e chegando até a população do lado de fora, na Rua Itacuruçá. Foi nesse momento em que "as meninas do Metrô", mocinhas muito bem apresentáveis com uniforme do Metrô Rio, passaram a liberar o nosso acesso em grupos de dez. Por acaso, eu estava contemplado neste grupo. Eu e mais um bando de senhoras.

O saguão da estação Uruguai estava tomado por repórteres e políticos, além de convidados especiais. Gente da Tijuca, por exemplo, como o Jaime Miranda (presidente da Associação Comercial e Industrial da Tijuca) e o administrador regional Nelson Aguiar, além de comerciantes tradicionais. Logo na descida havia uma mesa com sucos, café, canapés e sanduichinhos. Um coquetel que, mesmo sendo muuui singelo, atraiu a atenção imediata das "tias" que estavam no meu grupo. Um beijo para elas, aliás, todas muito simpáticas e gentis em me chamarem de "pão".

No centro da roda envolta por câmeras de TV, microfones e gravadores, encontravam-se o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o alcaide Eduardo Paes, o vice-governador Luiz Fernando de Souza, o Pezão, e, como já foi citado, o secretário de transportes. Uma passagem curiosa do discurso, que era alternado a todo momento para cada uma destas figuras, foi o anúncio certeiro, cheio de convicção, por parte de Sérgio Cabral, de que o Pezão seria o nosso futuro governador. Os convidados, ali, todos muito simpatizantes com o PMDB, gritavam em uníssono o nome de Pezão, bem como aplaudiam incansavelmente quaisquer promessas escapulidas pela trupe no microfone.

Depois de tanto blablablá é que, por fim, foi dado o sinal verde para que todos embarcassem no trem em direção à Praça General Osório. A primeira viagem aconteceu por volta do meio-dia e com vagões não tão lotados, apesar da grande quantidade de pessoas que assistiram à cerimônia. Câmeras não paravam de clicar em um só momento, sobretudo as dos moradores da Muda e Usina, entusiasmadíssimos com a ideia de poderem, a partir de hoje, embarcar no metrô sem precisarem de ônibus-integração, cujo serviço continuará existindo tendo como ponto final a Saens Peña.

O saguão com as catracas, ainda vazio, enquanto a campanha política rolava solta ao lado

Acompanhado de amigos, viajamos até a estação Saens Peña, onde pudemos ter uma dimensão ainda mais crítica do metrô nessa fase pós-Uruguai. Explico-me: a organização espacial da estação Saens Peña ainda está configurada como uma estação terminal, o que deixou de ser. Faltam-lhe novas sinalizações, reordenamento das catracas, assim como das escadas de acesso e saída, sem mencionar o alargamento urgente das plataformas, muito estreitas para a quantidade abundante de usuários que passam diariamente pela praça.

Do jeito que a estação Uruguai do metrô ficou bonita e, de certo modo, luxuosa, tudo indica que Saens Peña, São Francisco Xavier e Afonso Pena, que não são reformadas desde os anos 1980, serão as “primas pobres” da Uruguai. Essa alcunha é o de menos; o pior, eu palpitaria, é o descontentamento, agora, dos usuários da Praça Saens Peña, que não mais viajarão sentados como lhes foi costumeiro por mais de 30 anos. Take it easy, minha gente.

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