28 de mar de 2014

O Palhaço Pipoca da Muda

A carrocinha festiva do Palhaço Pipoca na Rua Uruguai, no início de março

Não estranhe, caro leitor, se por algum acaso você estiver flanando de noite pela Praça Xavier de Brito ou devorando o apetitoso bolinho de arroz do Bar do Momo e escutar, como que num regresso repentino aos anos de 1980, canções da Xuxa ressoando quarteirão afora. Não estranhe também se o olfato ficar mais aguçado e tendencioso a um cheirinho de pipoca pelo ar. A partir disto, comece a prestar atenção ao seu redor. Em breve, sob o negror do céu e as luzes amareladas dos postes, surgirá no seu campo visual uma carrocinha de pipoca, a princípio comum, se não fosse por um detalhe: os fios coloridos de neon que a circundam e a TV portátil (veja de onde vem a Xuxa!) exibindo DVDs de músicas infantis.

A tal inovação na arte de servir pipoca é de autoria de Aílton da Silva, ou como prefere ser chamado, o Palhaço Pipoca, que circula constantemente pelas ruas da Muda com a sua carrocinha pavoneada.

O Palhaço Pipoca travestido de Papai Noel,
na  Praça Xavier de Brito (reprodução de O Globo)
Venho “manjando” o Palhaço Pipoca há tempos, pois sempre me deparava com ele, fosse passando pela calçada do Bar do Momo, ou na Rua Garibaldi e, algumas vezes, na Praça Xavier de Brito. A festividade toda do Palhaço Pipoca, para mim, é fascinante, principalmente por ser uma profissão tão querida e nostálgica. Eu precisava dizer isso de alguma forma ao Palhaço Pipoca, mesmo que, por ventura, não fosse comprar nada com ele.

Eis que surgiu a oportunidade, sem planejamento algum, quando eu vinha caminhando pelo cruzamento da Rua Marechal Trompowsky com a Avenida Maracanã ontem à noite. Nessa esquina existe o jardim-escola Gente Miúda, e como era por volta de 18 horas, nem preciso dizer que havia uma concentração expressiva de crianças em torno da carrocinha colorida. Enquanto umas delas, com os pescocinhos levantados, assistiam com toda a atenção ao “xou” da Xuxa, outras se concentravam no entorno de Aílton, que ia repassando à meninada, sorridente, os saquinhos com a iguaria de milho, doce ou salgada, cujo preço varia de R$ 2 a 6 reais.

Não pude deixar de observar a cena, relembrando meus “velhos” tempos, sem deixar de cumprimentá-lo pelo seu trabalho cativante. Foi nessa hora que fui informado sobre o apelido “Palhaço Pipoca” (eu ignorava até então) e que Aílton trabalha com pipoca há pelo menos vinte anos. Os fios de neon, no entanto, foram colocados recentemente, coisa de dois anos pra cá, muito embora, esporadicamente, o Palhaço Pipoca adorne a carrocinha conforme alguma data comemorativa, como o Natal, por exemplo.

“Isso é a minha vida”, argumentou Aílton, após um aperto nosso de mão precedido por elogios meus.

A conversa durou pouco. Aílton tinha mais pipocas para vender e, por conseguinte, mais sorrisos a distribuir.

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