18 de abr de 2014

Obras no antigo externato do Colégio Marista São José estão a todo vapor

O Externato do Colégio Marista São José, na Barão de Mesquita: prestes a ser reativado.

A Tijuca, de pouco em pouco, vem resgatando as suas tradições. Após dezessete anos fechado, o antigo externato do Colégio Marista São José, na Rua Barão de Mesquita 164, será finalmente reinaugurado no ano letivo de 2015. As obras estão a todo vapor, cujo fôlego se deu a partir do momento em que os terrenos situados na parte detrás da instituição foram vendidos para uma incorporadora imobiliária, que já levantou dois novos espigões de luxo voltados para a Avenida Maracanã.

O regresso do São José para a Barão de Mesquita fomentará ainda mais a competitividade das escolas neste eixo, como o Colégio Militar, o PH (com filial, além da Rua Professor Gabizo, também na Major Ávila) e o PENSI, assim como o Pedro II e o CEFET, que ficam igualmente nestas vizinhanças.

Fundado em 1902 pelos irmãos Maristas, o Colégio Marista São José é derivado do antigo Colégio Diocesano São José, controlado, até então, pelos padres diocesanos. A primeira sede do Marista ficava no Rio Comprido, chegando à Tijuca apenas alguns anos depois em duas unidades: o Internato, em funcionamento até hoje na Usina, e esse Externato, na Barão de Mesquita, desativado desde 1997.

Dada a tradição do colégio e sua importância para o bairro e para a formação intelectual de muitos cariocas, tramitou um projeto de lei em 1999 (Nº 1067/99) cujo objetivo era o tombamento deste edifício. O decreto, no entanto, só veio a ser homologado no final do ano 2000 (Nº 19.342/2000), sob esta justificativa do deputado Carlos Dias:

As colunas clássicas do Externato em contraste às
varandas modernosas do novo condomínio.
"O Colégio Marista São José é referência cultural deste Estado, tendo contribuído na formação de diversas gerações de brasileiros, assim como o Colégio Militar, o Colégio Pedro II e o Instituto de Educação, educandários que até hoje enobrecem nossa sociedade, tão carente de boas escolas.
Nos bancos do antigo Externato São José, que ora se pretende tombar, a história da educação fluminense foi pautada ao longo deste século, sendo o próprio Colégio testemunha, personagem e palco da vida política, social, cultural e artística do estado, à guisa de exemplos singelos, registre-se que no Colégio discursou Carlos Lacerda momentos antes do atentado da Rua Tonelero; no Colégio reuniram-se bispos e religiosos durante a recente visita do Papa João Paulo II; no Colégio, durante a Segunda Guerra Mundial, foram homenageados os que, ligados àquela comunidade, faleceram nos campos de batalha; no Colégio, até nossos dias, menores carentes são acolhidos à noite, albergados nas dependências dos prédios escolares.
A mídia aventa tristemente a possibilidade de demolição do Colégio, sepultando a memória de muitas gerações de antigos alunos, degradando a já pobre cultura deste Estado, que muito precisa de centros culturais, não podendo dispensar suas histórias referências.
Assim, proponho o tombamento em tela, amparado pelo disposto nos artigos 23, inciso III e IV e artigo 216, caput, inciso IV e §1º, todos da Constituição Federal, bem como também baseado nos preceitos do artigo 322, VIII, e do artigo 324 da Constituição Estadual, cujas regras asseguram a competência da ALERJ para promover tal providência, utilizando como meio de proteção do patrimônio cultural do povo do Estado do Rio de Janeiro". 

O estado do imóvel em 2011, antes da reforma: lixo e degradação.

Houve uma tentativa, entre os anos de 2010 e 2011, de que o Externato fosse alugado para fins comerciais na área da cultura, mas tal estratégia não foi lá bem-sucedida. Àquela altura do campeonato, a sua bela calçada de pedras portuguesas já estava tomada por lixo, entulhos e ratos, sendo utilizada diariamente como ponto final de kombis piratas que faziam o caminho Saens Peña x Avenida Brasil. A retomada das obras, e o consequente retorno do São José para a Barão de Mesquita, é, sem dúvidas, motivo de festejos para os moradores da vizinhança.

3 comentários:

Anônimo disse...

Olá muito bom o seu blog, porém como vizinho do marista são josé , venho informar , que o ponto de vans piratas persiste no local com total complascencia do prefeito e dos orgãos fiscalizadores do estado e mumicipio.
O usuários das vans piratas teimam em fazer da entrada do colégio de mictório e banheiro .
Tenho esperança que com a volta das atividades do colégio esse quadro mude, mas até agora nada...
Att Mario Ribeiro

A VIDA NUMA GOA disse...

Olá.

De blog para blog.

http://avidanumagoa.blogspot.com.br/2014/10/sao-jose-de-baixo-1982-1985.html

Papel de Roça disse...

Muito bom Pedro Paulo. Que bom que você é tijucano. Sheila Castello

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