3 de abr de 2014

Orquestra Voadora "aterrisa" na noite da Saens Peña

Apresentação da Orquestra na Praça Saens Peña: surpresa

Há gente que reclama, e com toda razão, de que bate seis, sete, oito horas da noite e a Praça Saens Peña adormece. As lojas fecham e só se vê o movimento dos ônibus e da boemia tímida de alguns poucos bares ao redor do Shopping 45, além, é claro, dos tijucanos que desembarcam na estação do metrô após mais um dia de trabalho. Tijucanos estes, aliás, que tiveram uma grata surpresa na noite desta quinta-feira 3 de abril: a apresentação da prestigiada Orquestra Voadora em plena praça. Sim, aqui na Tijuca!

A apresentação fez parte do que eles têm chamado de Ataque Musical, iniciativa dos próprios integrantes para recolher fundos para a compra de dois novos instrumentos roubados da Orquestra Voadora durante o carnaval. Entre os itens perdidos, um saxofone e um trombone de vara, tendo este último desaparecido misteriosamente após um encontro de orquestras na Praça Tiradentes. O Ataque Musical já aconteceu no Largo do Machado e, hoje, para a nossa sorte, aterrisou na Praça Saens Peña chamando a atenção de muitos pedestres que por lá passavam, contribuindo, de quebra, financeiramente com a Orquestra.


O concerto estava previsto para começar às 18 horas, precisamente no horário mais movimentado não só da praça, mas também das saídas do metrô da Saens Peña. No entanto, a chuvinha fina que caiu na cidade acabou atrapalhando os planos da Orquestra, que só começou a ressoar seus instrumentos de sopro e percussão por volta das 19h30. Muitos não sabiam que haveria apresentação da Orquestra Voadora na praça hoje.

Eu, por exemplo, só fiquei sabendo por uma amiga que viu a notícia através do blog de moda Rio Etc, que costuma avisar sobre eventos culturais – geralmente gratuitos – rolando pela cidade em sua agenda virtual. 

Além da diversão propiciada pela Orquestra a todo mundo que passava pela praça nesta noite, foi a reflexão de que é possível, sim, renovar a vida noturna da Saens Peña com coletivos de arte e música e até mesmo, de forma mais ambiciosa, com investimentos empresariais voltados ao lazer. Basta o empresariado "sacar" esse panorama. Há fôlego e público para isso.

— Eu moro na Tijuca desde 1973. Mais eventos como esse têm que acontecer por aqui. A Tijuca é um bairro mortinho  confidenciou-me uma moradora, enquanto dançava em meio à balbúrdia aprontada pelo grupo.

Mesmo após os avisos de que tocariam a “saideira”, isso por volta de 21h, quase às 22h, quando fui embora, a Orquestra continuava na Praça, animadamente, resgatando uma das poucas coisas que a Tijuca possui: vitalidade notívaga.

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