19 de jul de 2014

Adorada Saens Peña

Outono ensolarado na Praça Saens Peña

“Tarde fresca na Praça Saens Peña, até um pivete passar por você e levar seu celular embora”. Assim retrucou uma amiga minha, bem-humorada, ao ver a foto acima publicada em minha página pessoal no Facebook. A moça, também tijucana, não compreende a minha idolatração pela nossa Saens Peña (Saenz, para os íntimos) nem que veja beleza no chafariz do lago e nas árvores que a circundam. Tudo bem, a praça, conforme disse um amigo meu, “está meio acabada mesmo”, mas isso não extermina a sua imponência tampouco a sua representatividade na Tijuca e na cidade do Rio.

O comentário dela, que acabou levando-nos para a manjada discussão que compara a Tijuca com a zona sul (onde a zona sul é muito melhor, óbvio), reflete a perspectiva de muitos tijucanos que, em pleno ano de 2014, ainda pensam que a Tijuca é a mesma dos anos 1990. Ou seja: cheia de trombadinhas, assaltos e balas perdidas. E o pior: como se aqui fosse o único lugar do Rio a sofrer com esse problema e, portanto, digno de ser odioso!

Apesar da minha visão romântica quanto à Tijuca, sou um passeador e (re)conheço vida inteligente fora do bairro. Meu trabalho no As Ruas do Rio, por exemplo, o blog que escrevo no site da Revista Veja Rio, faz com que eu me desloque para vários bairros esporadicamente no papel de observador. Mesmo quando não estou nessa função, tenho amigos em outros lugares, visito-os, divirto-me igualmente em outras bandas. E posso afirmar o seguinte: em matéria de segurança, a Saens Peña de hoje está consideravelmente boa.

Isso, no entanto, não quer dizer que estejamos imunes à violência. Uma reportagem da UOL de janeiro deste ano, embora tenha tido como enfoque o aumento de assaltos na área turística (Copacabana, Ipanema e Leblon), mostrou também que o número de roubo a celulares aumentou 135% entre 2012 e 2013 nas delegacias da Tijuca (19ª DP) e da Gávea (15ª DP).

O problema, a meu ver, é a falta de bairrismo. E bairrismo, nesse sentido, não tem nada a ver com o seu sentido pejorativo, mas sim a ideia de amor ao bairro, de sentir-se pertencido a uma comunidade e querer fazer algo por ela. Dizer que você gosta da Praça Saens Peña, para alguns, gera sentimentos de incredulidade jocosa. “Como assim, gostar da Saens Peña?”. Realmente não dá para comparar, em matéria de beleza, o visual deslumbrante e natural dos Dois Irmãos com o lago artificial da praça, mas qual o problema em achar belo, de verdade, um lugar que não tenha o costume de sair por aí nos guias de turismo?

A Saens Peña não é menos nobre porque há mendigos cativos nas suas redondezas nem porque o caos da Conde de Bonfim a torna pouca atrativa, sem os ares pomposos do capital emanados pela zona sul ou pela Barra. Ela é nobre por ser digna de estima. É briosa, majestosa, distinta, ilustre, notável.

Assim é a Tijuca para mim e para muitos tijucanos apaixonados. Não há modismos ou status que interfiram no nosso amor e admiração genuína a esse lugar.

2 comentários:

Ricardo Freitas disse...

Boa tarde,

Estou adorando o blogger, e lendo várias postagens legais, mas dessa aqui em especifico achei ofensiva e deselegante e me sentir ofendido.

Realmente a região da Rua Itapirú passou por momentos ruins entre 1998/2006 com a guerra do tráfico que existia no local, assaltos e medo.

Mas daí você dizer " Entram mães, crianças, adolescentes, pais, homens, estudantes, senhoras, senhores, passeadores em geral. Dão bom dia, boa tarde; escutam-se mais por favores, obrigados, com licenças. Há mais sorrisos nos rostos e menos caras emburradas. Há mais gentileza e menos comportamentos grotescos. O curioso é que as pessoas são as mesmas de antes."

Esse treco ficou ofensivo e generalizado, parece que todos moradores da região são mal educados e agiam de forma grotesca.

Me sentir ofendido e considerei o comentário soberbo e desnecessário.
Por acaso em todos os bairros da cidade não existem pessoas boas e ruins?

E todos os bairros não existem pontos fortes e fracos?

Amo a tijuca, mas sou morador do Rio Comprido, um bairro deixado de lado há tempos pela politica pública de conservação, apesar de já ter sido moradia de ilustres família no passado glorioso.

Mas acho que nos comentário feitos deve-se haver respeito por TODOS os bairros e principalmente respeito nas palavras a se referir à seus moradores.

Abs e sucesso ao Blog.

Ricardo Freitas disse...

ERRATA

Infelizmente como eu estava com várias abas abertas publiquei esse comentário erradamente nesse tópico aqui, mas o meu comentário acima se refere a postagem : "Outrora, as viagens no 426 (Usina-Copacabana)"

Abs.

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