10 de ago de 2014

E viva a boemia tijucana!

Arte em poste da Avenida Maracanã, em frente ao Buxixo: região da boemia.

Sexta-feira, 19 horas. A porta do Shopping Tijuca começa a se encher de adolescentes das mais variadas idades e tribos. Essa moçada marca ponto religiosamente ali igualmente aos sábados, domingos e feriados, sempre na mesma faixa de horário. Sem nenhuma matinê por perto que os divirta, concentram-se ali, aos montes, no ajardinado em frente ao Tijuca Off Shopping, junto à banca de jornal. Andam de skate, papeiam, namoram, fumam e bebem escondidos até o momento que seus pais chegam, por volta das 23h, e, às buzinadas, avisam que é "hora de ir embora".

Mais uma noite começa na Tijuca, esse bairro apaixonantemente "parado" como já comentei algum tempo atrás. Cada grupo de tijucanos desfruta o seu próprio tipo de boemia. Esses mesmos adolescentes, quando não vão passear pelos corredores do shopping, encontram-se nos rodízios de pizza da Parmê do América ou no Pizza & Grill da Barão de Mesquita, aquela cheia de sabores inusitados, refrigerantes 2 litros sobre as mesas e calorosos "parabéns pra você" a cada cinco minutos.

É possível se divertir na Tijuca numa boa, principalmente com amigos, a não ser quando o assunto é cinema. Afinal, encarar a programação blockbuster do cinema do Kinoplex Tijuca e ainda enfrentar suas filas quilométricas exige certa dose de paciência. Com o lado cultural em baixa por aqui, só nos resta olhar o Facebook e ver se há algum evento do Norte Comum rolando pelo bairro, ou então, em caso negativo, bora logo beber e fazer o jus máximo ao termo "boemia". Quando se fala em redutos etílicos, a Tijuca é mais do que especialista: tem pós-doutorado!

Na Praça Varnhagen, reduto boêmio mais expressivo (e pop) da Tijuca, comensais e beberrões têm dividido o espaço da praça com tapumes, guindastes e um pouco de poeira. Interditada há mais de um ano, a Varnhagen foi escolhida para abrigar um dos três piscinões subterrâneos da região - os tais reservatórios que prometem "acabar" com as enchentes tijucanas. Apesar do cenário pouco atrativo, ele não afasta a clientela fiel do Só Kana, Buxixo e Buteko Tijuca, além de todos os outros bares situados no eixo da Rua Almirante João Cândido Brasil. Essa região é balbúrdia pura e com opções para todos os gostos e bolsos. Ideal para beber em grupos, a Varnhagen atrai gente de toda a Grande Tijuca e bairros próximos da zona norte, como Engenho Novo e Méier.

Por outro lado, tem muito tijucano por aí que torce o nariz para os bares da Praça Varnhagen e prefere, em troca, ficar ali mesmo pelas imediações da Rua Uruguai. As filiais do Otto (seja o café, o de frutos de mar ou o convencional, na esquina com a Conde de Bonfim), por exemplo, são as preferidas do tijucano bon vivant, que gosta de ambientes mais requintados. O mesmo vale para todo o corredor gastronômico "estrelado" da Rua Barão de Iguatemi, na Praça da Bandeira.

De todo modo, o que caracteriza mesmo a boemia tijucana são os nossos tradicionais botecos - o pólo da Praça Afonso Pena que o diga! Enquanto esses pés-limpos, entre outros bares da moda, iniciam e encerram suas atividades conforme a demanda do mercado (vide o Devassa, que não durou nem cinco anos na Mariz e Barros), os botecos existem aos montes na Tijuca há décadas, firmes e fortes. O que mais encanta é a gestão de caráter mais familiar, que, contrapondo à "diplomacia do business", trata o freguês na base da empatia. E o horário de funcionamento? Muitos deles não têm; varia de acordo com o humor do dia. E, cá entre nós, a gente adora essa informalidade. Coisa nossa.

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