29 de out de 2014

Saguis invadem (e divertem) a Tijuca!

Um sagui se alimenta de banana em muro de residência próxima à Praça Hilda

Não é mais raro para o tijucano se deparar com um sagui travesso no muro de sua residência ou cambaleante pela fiação de sua rua. Embora comumente encontrados em ruas mais arborizadas e próximas da Mata Atlântica, como a Sabóia Lima e aquelas da Usina e do Alto da Boa Vista, os saguis estão presentes inclusive naquelas vias mais urbanas e distantes da encosta! Pertencentes à simpática subfamília de macacos chamada Callitrichinae, eles se espalham pelo bairro e viraram atração momentânea entre crianças e adultos curiosos quando surgem inesperadamente à procura de abrigo ou de comida.

Na Rua Alzira Brandão (veja vídeo abaixo), semana passada, uma família trôpega de saguis parecia estar fugindo de alguma zona de perigo ao percorrer a fiação dos postes de lá. O mais curioso foi ter percebido que na "garupa" de um dos membros saltitantes da trupe havia um filhotinho todo esquálido aferrado à suposta mãe. Já nas redondezas da Praça Hilda, aos pés da Pedra da Babilônia, um casal da espécie passeava displicentemente pelo meio-fio até alcançar o muro de uma das residências, cujos moradores ofereceram-lhes uma banana como "boas-vindas".

O gracejo gastronômico, no entanto, deve ser evitado - orientam especialistas. No Parque Lage, pelo menos, onde a presença de diferentes tipos de macacos é muito recorrente, os guardas advertem aos visitantes que alimentá-los pode ser um atentado à sobrevivência da espécie, que correria o risco de ser contaminada pelos nossos "germes" através da comida - ou seja, germes inofensivos apenas à espécie humana, mas nocivos aos macacos.



Por outro lado, ainda há muitas outras ignorâncias em torno dos saguis. Uma delas é que são, na verdade, originários do Nordeste e introduzidos no Rio de Janeiro por causa do tráfico de animais (pessoas que compraram e trouxeram para o Rio). Além disso, Pedro Develey, coordenador da ONG BirdLife, em entrevista ao site G1 em 2007, explicou que o Callithrix jacchus (nome designado à espécie), por ser um animal onívoro, pode ameaçar a existência de pássaros nas zonas urbanas - no caso, a zona urbana da Tijuca - já que se alimentam basicamente de ovos de aves.

Como são predadores consideravelmente novos na região, os pássaros ainda não adaptaram seus ninhos para proteger seus ovos, que se tornam alvos fáceis para os saguis. Todavia, ele pontua que a população de pássaros não entrará em extinção, mas que se o número de saguis continuar a crescer, o de pássaros poderá "diminuir drasticamente", segundo Develey.

Na mesma reportagem, Vitor Berbara, supervisor do Centro de Zoonose da Secretaria de Saúde do Rio, avisa que os saguis não oferecem riscos graves à população, apesar de poderem portar o vírus da febre amarela e da Raiva. E ainda aconselha aos pedestres que evitem muitas aproximações com o animal, pois, mesmo pequenino e aparentemente afável, o sagui costuma ser agressivo por se sentir em constante ameaça.

Seja como for, eles são praticamente um espetáculo circense em pleno cotidiano da Tijuca. De momentos insólitos, quem não gosta?

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