3 de out de 2014

Tijukistan, a irreverente grife da Tijuca

As estampas da Tijukistan: aposta numa linha street wear irreverente e bairrista.

— Sinceramente nunca vi sentimento igual ao do tijucano. Não tem bairro melhor, só falta uma praia. Os outros bairros nos odeiam e/ou invejam - gracejou, bem humorado, o designer gráfico João Leite, de 32 anos, sobre a peculiaridade do orgulho tijucano.

Morador da Usina, João é o idealizador e dono da marca de roupas Tijukistan, a grife exclusivamente tijucana referência entre os moradores do bairro, sobretudo entre os mais jovens. A página da Tijukistan no Facebook, por exemplo, já ultrapassou a marca das 4 500 curtidas, número consideravelmente alto para uma marca destinada a um público-alvo bastante segmentado e regionalizado.

Estampa rara da Tijukistan traz os
pombos da Praça Saens Peña
No entanto, foi precisamente com base nesse seleto mercado que João Leite apostou a criação do seu negócio em 2012. A repercussão positiva nas redes sociais e em alguns veículos de comunicação também se reflete na expressiva demanda pelas peças da Tijukistan. Segundo João, a cada dois meses surge uma coleção nova, sempre com boa liquidez, com preços na faixa de R$ 25 a 50,00:

— Conseguimos sempre vender praticamente toda a coleção, mas há estampas que os clientes estão frequentemente pedindo reprint, como a "I love Tijuca", "La Famiglia Tijucana" e "Made in Tijuca" – explica.

Apesar do cunho bairrista e enaltecedor das estampas, que exaltam as qualidades da Tijuca e o amor que seus moradores sentem por ela, o nome da grife, entretanto, alude à algo ligeiramente negativo: trata-se de uma analogia da ambiência urbana da Tijuca com a de um Afeganistão em tempos de guerra. Isso porque, durante muitos anos, os tiroteios e a violência excessiva imperaram em algumas partes do bairro, estigmatizando-as como perigosas e instáveis.

— A ideia do nome surgiu na época quando não tínhamos UPPs e os assaltos e tiroteios eram constantes no bairro. Ao mesmo tempo, acontecia a guerra no Afeganistão. Assim, o que seria uma brincadeira, virou coisa séria. Cheguei a me preocupar pelo nome, de ser associado à violência... mas já estava conhecido.

E João não teve com que se preocupar mesmo. O apelido "Tijukistão", que tinha tudo para ganhar uma conotação pejorativa e de desqualificação da Tijuca, passou a fazer parte do vocabulário da juventude tijucana nos anos 2000 como uma menção ainda mais de "camaradagem" e cumplicidade com o bairro. Afinal, tijucano que é tijucano sabe bem que, apesar dos pesares, a Tijuca é o seu grande xodó. Ponto certo para a Tijukistan, que soube identificar o nicho de mercado perfeito frente a um público que, muito mais do que narcisista, é fiel. Dito de outro modo: sucesso garantido!

Para ver as peças disponíveis e opções de pagamento, visite: http://www.tijukistan.com.br
Página no Facebook: https://www.facebook.com/Tijukistan

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