3 de abr de 2015

À beira da mediocridade, Prefeitura inaugura a nova Praça da Bandeira

Imagem aérea da nova Praça da Bandeira, inaugurada em 7 de fevereiro: projeto pobre compromete
a estética local. Fonte: Divulgação Prefeitura do Rio.

Após dois anos interditada para obras contra enchentes, a Praça da Bandeira foi reinaugurada no início de fevereiro deste ano com novo mobiliário urbano e paisagismo. O evento, que reuniu autoridades locais e municipais, contou com a apresentação do concerto da Banda da Guarda Municipal acompanhada da cerimônia de hasteamento da bandeira brasileira, devolvida finalmente à praça carioca que lhe dá o nome.

A interdição fez parte de um conjunto de obras destinado a melhorias urbanísticas na cidade do Rio de Janeiro em virtude dos jogos olímpicos do ano que vem, 2016. Desse modo, a construção de um reservatório subterrâneo na Praça da Bandeira promete acabar com as clássicas enchentes que assolam tal área do município, e, consequentemente, é motivo de comemoração para os moradores e comerciantes de lá que há tantas décadas sofrem com os temporais.

Mesmo diante de tantas perspectivas otimistas sobre a região da Praça da Bandeira, que, a partir deste ano, ao que tudo indica, estará “salva” dos dilúvios cariocas, é cabível destacar a decepção com o resultado final da praça em si. Fruto de um projeto urbanístico que aparentemente tem sido igual para todas as outras praças e espaços públicos revitalizados há pouco tempo no Rio, a remodelação na superfície da praça durou pouco menos de dois meses. Para uma área que ficou interditada por dois anos, o que seriam dois meses? Eficiência ou trabalho mal feito?

As imagens divulgadas nas redes sociais da Prefeitura e da Subprefeitura da Grande Tijuca não deixam mentir: a Praça da Bandeira foi contemplada por um projeto pobre em termos estéticos. Quem passa pela região com frequência e tem um mínimo de senso crítico, também já deve ter percebido este detalhe. A nova praça dispõe de pisos acimentados (ficarão encardidos logo, logo), palmeiras esquálidas sustentadas por pedaços de madeira, gramado e jardim simplórios, que beiram a inexpressão, sem mencionar a sensação de aridez emanada pelo local nos dias de calor.

O panorama não difere em nada do que foi feito recentemente no entorno do estádio do Maracanã, por exemplo, onde a inclusão de elementos de entretenimento, como a academia da terceira da idade e a pista de skate, por outro lado, parecem ser as únicas qualidades. Esses elementos são ressaltados no vídeo abaixo publicado pelo prefeito Eduardo Paes em sua página do Facebook em 13 de março. Na matéria, percebe-se claramente a sobrevalorização da construção do reservatório subterrâneo (vulgo “piscinão”) e da academia da terceira idade como mascaramento à pobreza e à má qualidade do projeto executado.




Para quem não se lembra, a “antiga” Praça da Bandeira dispunha de abricós frondosos e pisos cobertos por simbólicas pedras portuguesas, que fazem parte da identidade do Rio. Muito embora fosse mal conservada, dado o fato de que a praça é pouco acessível a pedestres por estar rodeada de autopistas, opino que a “nova” Praça da Bandeira reproduz uma concepção urbanística de “praça revitalizada”, muito em voga atualmente no Rio, que rompe com a identidade e os símbolos cariocas a favor de atributos como eficiência, agilidade e redução de custos que, claramente, estão comprometendo a estética e a sustentabilidade das nossas áreas públicas. A nova Praça da Bandeira é, portanto, um (infeliz) retrocesso, que preocupa o futuro das praças Varnhagen e Niterói, na Tijuca, que estão sob as mesmas circunstâncias.

Um comentário:

Pat Kovacs disse...

Um ano após sua inauguração, a praça continua insossa e sem vida, parece que nem palmeiras nem arvorezinhas mirradas foram para frente. No início até se via atividade humana no local, mas agora parece que deixou de ser novidade e as pessoas preferem caminhar até a Afonso Pena.
A gestão de Eduardo Paes destruiu a flora urbana, além de ter surrupiado áreas públicas para construções dos famigerados upas e clínicas da família (que não funcionam na maior parte). Se nas zonas Sul e Norte houve a descaracterização das praças, na zona Oeste as praças foram tomadas para a construção das unidades de pronto atendimento, deixando a população local, que já não possui opções de lazer, sem o mínimo de área de lazer que possuía!
Isso é revoltante!