22 de abr de 2015

Ir da Tijuca à zona sul: muitas linhas de ônibus, poucas eficientes

A linha 415 (Usina - Leblon): itinerário demorado entre a Tijuca e a zona sul da cidade.

O tijucano que precisa ir ou voltar da zona sul em transporte público muitas das vezes se vê na terrível contingência de fazer um passeio forçado pela cidade do Rio até chegar o seu local de destino. O metrô, tido como o meio de transporte mais rápido da região, tem na sua linha principal um desenho côncavo que obriga o passageiro a percorrer todo o Centro, região do Flamengo e Copacabana, quando, na realidade, as suas estações terminais (Uruguai e General Osório) estão a uma reta de distância sob o Sumaré. Mesmo dispondo de um conforto inegável, convenhamos: o metrô pode ser muito demorado, especialmente se levarmos em conta os túneis rodoviários que oportunamente encurtam as distâncias entre as zonas norte e sul.

Frente à inflexibilidade (e irracionalidade) das linhas do metrô carioca, os ônibus poderiam ser uma alternativa frente à problemática metroviária. Somente no bairro da Tijuca, passam 16 linhas de ônibus que rumam para diferentes áreas da zona sul da cidade. Deste total, apenas 6 delas fazem uso dos túneis Santa Bárbara e Rebouças, itinerários capazes de reduzir o tempo de viagem entre as duas regiões em pelo menos meia hora. No entanto, se olharmos os pormenores dessas 6 linhas, percebe-se a precariedade ainda maior do serviço: das 6, apenas 3 linhas são regulares (as outras são designadas “extraordinárias”), sendo que somente 1 delas (426 – Usina x Jardim de Alah) percorre todo o eixo viário principal da Tijuca, o da Conde de Bonfim-Haddock Lobo.

Um dos casos que mais chamam a atenção quanto à ineficiência do serviço é o da linha 415, que sai da Usina em direção ao Leblon. Operada há décadas pela Viação Alpha, do Consórcio Intersul, a linha percorre todo o eixo das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, além do Aterro e Copacabana até chegar, por fim, ao bairro do Leblon. Sabe-se bem que o propósito da linha não é transportar necessariamente alguém da Tijuca ao Leblon, mas sim abarcar a alta rotatividade de passageiros que existe nesse itinerário.


Apesar disso, é lamentável que a Viação Alpha não tenha conseguido criar até hoje uma linha variante que faça uso do Túnel Rebouças para encurtar as distâncias de quem queira ir da Tijuca para o Leblon e vice-versa. Um caso de sucesso é o da antiga variante da 438, Vila Isabel – Leblon, via Túnel Rebouças. Criada em 2003, a linha tornou-se regular há pouco mais de cinco anos dada a demanda de público, mas só percorre um pequeno trecho da Tijuca, nas imediações da Rua São Francisco Xavier e Avenida Maracanã.

Outra reclamação muito comum advém dos estudantes da PUC que moram na Tijuca. A linha 410, que sai do Tijuca Off-Shopping, dá uma volta inteira pelo Catumbi, Lapa, Flamengo e Botafogo até chegar à Gávea. Esse itinerário é muito similar ao da linha 409, cujo ponto final é no Horto, um pouco antes da Gávea. Desde o início da década passada, há uma variante extraordinária da linha 409, a 416, que vai pelo Rebouças – entretanto, a linha demora a passar e não funciona nos finais de semana. A questão é: não seria mais racional (para o benefício do passageiro) deslocar a linha 410 para o Túnel Rebouças e manter o itinerário da 409 via Lapa?

O trajeto da linha 415: 23,15 km contra 14,2 km se fosse pelo Rebouças.

Além disso, se mapearmos as áreas de atendimento dessas linhas de ônibus por macrorregiões da Tijuca, percebe-se que a área mais afetada corresponderia à Muda e Usina, que só dispõem de ônibus para Copacabana, Ipanema e Leblon via Aterro. Quem quiser ir para o Largo do Machado, Laranjeiras ou Jardim Botânico, precisa ir, no mínimo, até a região da Saens Peña ou à Rua Haddock Lobo, esta última a macrorregião mais bem atendida por ônibus que rumam à zona sul. Por estar próxima à Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido, por onde passam linhas vindas de São Cristóvão e Rodoviária rumo à Copacabana, Ipanema e Leblon, as opções podem ser mais variadas e muito mais rápidas. Mesmo regiões vizinhas, como Grajaú, Vila Isabel e Maracanã, são mais bem atendidas do que a Tijuca no que se refere a linhas eficientes.

Uma hipótese para que haja tal descompasso na elaboração dos itinerários das linhas que circulam pela Tijuca e zona sul seja àquela referente ao poderio dos grandes empresários de ônibus, que veem a oportunidade de angariar mais lucro mediante itinerários mais extensos, que promovam uma maior rotatividade de passageiros. Talvez seja por esta razão que Grajaú e Vila Isabel, por exemplo, disponham de mais linhas que utilizem os túneis do que a Tijuca, já que o metrô também é um forte concorrente dos ônibus. Nessa trama toda, quem sai prejudicado é o passageiro, que se torna refém dos itinerários criados e preservados por interesses que não sejam os coletivos.

Leia mais assuntos relacionados:

Um comentário:

professoricardo disse...

Perfeitas as colocações! Parabéns! Quem sabe um dia tudo melhore!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...