7 de jun de 2015

Conexão Utrecht - Saenz Peña: estudantes holandeses vêm à Tijuca para pesquisar sobre a economia local durante os megaeventos

Encontro na Saenz Peña (da esquerda para a direita): Jochem, Jaime, Gustavo, Rik e Stijn.

Há cerca de um mês, estudantes de Governança Pública da Universidade de Utrecht, na Holanda, aportaram no Rio de Janeiro para realizar um trabalho de campo sobre desenvolvimento social em torno da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos na segurança, coesão social e economia local da cidade.

A pesquisa, financiada por diferentes instituições holandesas parceiras da Universidade de Utrecht, tem também como objetivo refletir sobre os efeitos das iniciativas da Holanda em relação às políticas públicas brasileiras, isto é, qual o seu impacto e contribuição para o contexto do Rio mediante esse cenário de megaeventos.

Com base nisso, a Tijuca recebeu nessa última quinta-feira, 4 de junho, os estudantes Stijn Jansen, Jochem van den Berg e Rik Joosen, todos na faixa de vinte e pouquinhos anos, para um bate-papo comigo (este que vos escreve), com o presidente da Associação Comercial e Industrial da Tijuca (ACIT) Jaime Miranda e com o roteirista Gustavo Colombo, outro ativista tijucano que, dentre muitas atuações, lidera a campanha pela volta dos cinemas da praça e, além disso, ainda participa como colaborador do FAZ NA PRAÇA.

Basicamente, a indagação do trio de estudantes consistia nos impactos socioeconômicos no entorno do estádio do Maracanã diante da Copa e dos Jogos Olímpicos. "Houve algum tipo de mudança no perfil comercial da área por causa desses eventos?", questionava Rik Joosen, resvalando para tópicos como gentrificação comercial, privatização do espaço público e reposicionamento estratégico do bairro.

A nossa perspectiva (a minha, de Gustavo e Jaime), por vezes regida num inglês vacilante, apontou que muitas das transformações comerciais ocorridas no Maracanã se deveram exclusiva e pontualmente ao período de jogo. Exemplificamos o caso do prédio da Coca-Cola, levantado na Rua Professor Eurico Rabelo, e desativado tão logo a Copa do Mundo acabou.

Prédio da Coca-Cola, no Maracanã: estrutura foi desmontada logo após o fim da Copa.

O encontro se deu na Praça Saenz Peña e, como não poderíamos deixá-la de fora, a praça tornou-se assunto central após a identificação por parte de Rik, Stijn e Jochem de que esta era o ponto comercial e de serviços mais próximo do estádio do Maracanã, sem que, no entanto, houvesse uma integração mais eficiente entre a Saenz Peña e o Maracanã.

Discutimos também sobre o poderio do Shopping Tijuca em detrimento do comércio de rua e sobre o fato de a Praça Varnhagen, mesmo colada ao Maracanã, não ter conseguido se sobressair como um ponto de referência gastronômica para turistas durante a Copa. O que mais se viu durante o evento foi uma funcionalização da cidade de acordo com seus perfis de serviços: o Maracanã, servindo apenas como local dos jogos na cidade, ao passo que regiões como Lapa e Copacabana eram ponto de encontro para entretenimento e consumo.

O resultado final da pesquisa, desenvolvida aqui no Rio por mais outros 24 estudantes holandeses, será apresentado num simpósio em novembro e provavelmente se tornará livro. Em tempo: o grupo está hospedado no Morro da Babilônia, no Leme, e deve deixar a cidade em mais duas semanas. Enquanto isso, as excursões e a pesquisa seguem o baile.