29 de nov de 2015

Na contramão do projeto original, secretaria de transportes anuncia expansão do metrô da Uruguai para o Engenho de Dentro

Carlos Roberto Osorio apresenta o plano de expansão do metrô para o Engenhão, no Tijuca Tênis (25)

Na noite da última quarta-feira 25 de novembro, o Tijuca Tênis Clube sediou o encontro da Secretaria Estadual de Transportes com os tijucanos para apresentação do plano de expansão do metrô na Grande Tijuca. O evento, aberto ao público, contou com a exposição do secretário de transportes Carlos Roberto Osorio, que anunciou estar em andamento a homologação dos estudos técnicos que viabilizam o prolongamento da Linha Um do metrô para o Engenho Novo, Méier e Engenho de Dentro, passando por Muda, Andaraí e Grajaú.

A expansão defendida por Osorio envolveria seis estações a partir da estação terminal Uruguai, num extensão de 8,9 quilômetros: Rua São Miguel (na altura da Muda); Barão de Mesquita (entre Maxwell e Uruguai); Grajaú; Engenho Novo; Méier; Engenho de Dentro (em conexão com a Supervia).

Para a Secretaria Estadual de Transportes. a Linha Um do metrô deve ser expandida para
o Engenhão a partir de Uruguai

A reunião foi marcada por diversos contrassensos. O principal deles foi a afirmação de Osorio quanto à expansão da Linha Um na vertente norte, rumo ao estádio do Engenhão, já estar prevista desde os anos 1960. Os estudiosos da evolução do metrô na cidade sabem bem que o projeto original de expansão da Linha Um é o que prevê a sua transformação em anel metroviário, ligando a Uruguai à estação da Gávea, na zona sul, esta última prevista para inaugurar em 2017.

Recentemente, expus aqui em O passeador tijucano que, no longínquo maio de 1982, no momento de inauguração do metrô na Tijuca, o então presidente Figueiredo anunciou, em discurso na Praça Saenz Peña, que “a ligação com o Leblon seria o próximo projeto”. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, a formação do anel metroviário continuou sendo discutida e abordada em diversas ocasiões como projeto importante e viável. A última notícia oficial que se tem conhecimento sobre essa obra foi veiculada em novembro de 2000, no Jornal O Globo, durante a campanha eleitoral de Cesar Maia, quando Luiz Paulo Conde ainda era prefeito (saiba mais sobre a história do túnel entre a Rua Uruguai e a Gávea aqui).

Desafogar o trânsito na Avenida Radial Oeste (via principal de quem sai da região do Méier em direção ao Centro) e melhorar a mobilidade dos bairros contemplados foram os objetivos principais argumentados pela apresentação. Osorio também atribuiu como "vantagens" extras a valorização imobiliária imediata de apartamentos e casas que estiverem no entorno das novas estações de metrô. Durante o encontro, a única menção à ligação Gávea-Uruguai apareceu como parte dos projetos futuros previstos no Plano Diretor de Transportes Metropolitano, que será divulgado na íntegra em março do ano que vem.

Panorama de redes em estudo pelo Plano Diretor Metroviário, a ser divulgado no ano que vem:
anel metroviário está previsto, mas sem certezas ou prazos definidos.

Os comentários oficiais sobre o anel metroviário seriam sucintos e breves se não fosse pela sessão final do evento, que abriu espaço para perguntas dos participantes. Osorio respondeu a todas as indagações enviadas, sem exceção - ponto positivo da solenidade. Muitos espectadores, inclusive eu, questionaram sobre o porquê do projeto do anel metroviário estar sendo preterido a favor da expansão da Linha Um para outros bairros da zona norte. Além disso, perguntou-se qual seria a vantagem real de se esticar uma linha de metrô já saturada, que, alcançando a região do Méier, teria o formato de uma "tripa" ainda maior.

O projeto original da Linha Um (em laranja) está sendo preterido a favor do esticamento ainda maior da Linha Um
Reprodução: Internet.

Sem abalar-se, Osorio retrocedeu e afirmou que a expansão para o Méier e Engenho de Dentro ainda está em estudo. Acrescentou, também, que tal decisão cabe aos técnicos da Rio Trilhos, que podem decidir pelo contrário se julgarem mais adequado a ligação com a Gávea ao invés da expansão rumo ao Engenho de Dentro. Em suma, após pressão dos participantes, alegou que o projeto está em aberto e enumerando outras possibilidades, como a criação de uma linha independente para o Méier, por exemplo, que possa cruzar a Uruguai e seguir em direção à Linha Quatro, na zona sul, sob o Maciço.

Não houve divulgação de prazos; apenas uma exposição do projeto. Segundo a concepção de Osorio, para a Secretaria Estadual de Transportes parece ser mais importante abarcar novos passageiros, aumentando a demanda com a expansão do metrô para o Méier, do que dar maior capilaridade e solidez à linha central do metrô na cidade do Rio de Janeiro.

Caso o projeto se concretize, teremos, por volta de 2023, a Linha Um do metrô começando no Engenho de Dentro e terminando na Barra da Tijuca, passando por toda a Tijuca, Centro e zona sul. Isto é, uma linha extensa, sobrecarregada e sem transversalidade significativa.

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